Brasília - O Fórum Brasileiro sobre Mudanças Climáticas (FBMC) vai apresentar ao governo no próximo dia 20 os resultados de discussões que vem mantendo com diversos setores da sociedade sobre a redução no país da emissão de gases poluentes, responsáveis pelo aquecimento global. As sugestões, feitas por representantes dos setores empresarial, sindical, de transportes, das secretarias estaduais de Meio Ambiente e dos fóruns estaduais sobre mudança climática, poderão reforçar a proposta que o Brasil vai levar em dezembro a Copenhague, na reunião sobre as metas que deverão ser seguidas após 2012, quando expira o Protocolo de Quioto, sobre despoluição global. O fórum recebeu, na manhã desta terça-feira (13), as propostas da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) para a preservação do clima do planeta. De acordo com a CNT, a maior parte (60%) do transporte de cargas no país é feita por vias rodoviárias, percentual que só existe em pequenos países. A deficiência da infraestrutura rodoviária no país aumenta o custo do uso da malha em 30% e a idade da frota contribui para aumentar a poluição do ar. |
Um blog para quem quer ficar informado sobre logística, e as novidades em transporte, tecnologia, suplly chain, armazenagens e investimento da área.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Setor de transportes apresenta propostas para problemas que afetam meio ambiente
domingo, 6 de setembro de 2009
Fabricantes e importadores serão responsáveis por coleta e armazenagem de pneus
pneus inservíveis. Fabricantes e importadores serão responsáveis pelo resíduo e obrigados a
coletar e dar destinação ambientalmente adequada na proporção de um para um. Isso significa
que a cada pneu novo comercializado, um deverá ser recolhido. O ato do recolhimento se dará,
obrigatoriamente, no momento em que o consumidor estiver fazendo a troca de um pneu usado
por um novo, sem qualquer custo para o consumidor.
Isso é o que determina a Resolução do Conama, aprovada nesta quinta-feira (3/9) em plenário.
A proposta da Resolução é a de disciplinar o gerenciamento dos pneus considerados
inservíveis. O texto aprovado, com emendas, foi originalmente concebido de forma consensual
entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a ONG Planeta Verde, Ibama e o Ministério
do Meio Ambiente.
A nova resolução revisa a de nº 258, de 1999. As discussões para a revisão tiveram início em
2005. A norma coloca como desafio aos fabricantes e importadores a obrigação de dar
destinação ambientalmente adequada a 100% dos pneus que entram no mercado. A resolução
aprovada vai estimular parceria com os municípios, com o comércio e com os consumidores,
que fazem parte da cadeia.
Ainda de acordo com o texto aprovado, fabricantes e importadores de pneus novos, de forma
compartilhada ou isoladamente, deverão implementar pontos de coletas (ecopontos) de pneus
inservíveis. E nos municípios acima de 100 mil habitantes deverá haver pelo menos um ponto
de coleta e armazenamento, a ser implantado num prazo máximo de um ano a partir da
publicação da resolução.
Também será obrigação de fabricantes e importadores elaborar um plano de gerenciamento de
coleta, armazenamento e destinação dos pneus inservíveis e comprovar junto ao Cadastro
Técnico Federal (CTF), numa periodicidade máxima de um ano, a destinação dos inservíveis.
A aprovação de resolução sobre a correta destinação dos pneus usados tem como proposta
disciplinar o gerenciamento dos pneus inservíveis que, dispostos inadequadamente, constituem
passivo ambiental, com riscos ao meio ambiente a à saúde pública.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Crise aumenta demanda por profissionais de logística
Levantamento recente do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração de Empresas (Coppead) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra que 91% das maiores empresas do Brasil terceirizam serviços de logística e transportes, nível semelhante ao dos EUA e Europa.
Em 81% dos casos, segundo o estudo, objetivam reduzir custos. No entanto, apenas 57% delas têm alcançado a meta, com uma economia média de 13%. Nesse contexto, o tecnólogo em Logística e Transportes desempenha papel fundamental, pois ajuda a controlar os gastos desde a cadeia de suprimentos, passando por armazenagem de estoques e planejamento de rotas de distribuição.
"Em momentos de contração da economia, é importante a atuação desse profissional especializado, bem formado, como são os vindos das Fatecs", afirma Milton Lourenço, diretor da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo. "Hoje o setor tem significação muito importante, por isso a demanda é grande", garante Luciano Rocha, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Profissionais de Logística (ABEPL).
Joaquim Olímpio de Oliveira Filho, aluno da Fatec Americana, comprova. "Apesar da situação econômica, o mercado está se abrindo". Contratado este ano pela Secretaria Municipal de Transportes de Hortolândia, é técnico em Administração de Empresas, com experiência na área de trânsito e cursos do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). "A Fatec me dá noção de conjunto para a especialidade que quero seguir, treinamento de trânsito. Aplico no trabalho muitas das ferramentas que aprendo na faculdade".
Oferecido em doze Fatecs espalhadas pelo estado de São Paulo, o curso superior de Tecnologia em Logística e Transportes começa com disciplinas básicas (matemática, português, estatística, direito). Depois equilibra conteúdos de gestão - marketing, administração, empreendedorismo - e os de exatas como métodos de simulação, para aprender a transformar cenários em números. "O projeto pedagógico está muito bem equacionado, esse é nosso diferencial em relação a outras instituições", observa Valter de Sousa, da Fatec São José dos Campos.
Sobre o perfil do profissional, Daniela Marchini, coordenadora do curso na Fatec Americana, indica que deve ser dinâmico, e com um raciocínio preferencialmente lógico. "Se isso não for natural, precisa se esforçar", diz. A professora aponta a tendência de melhorar a ligação na cadeia de suprimentos. Por exemplo, um fio que segue para 20 empresas têxteis deve ter o menor custo possível de estoque e transporte - o que exige noção de processos, de conjunto.
Em busca dessa visão, várias empresas pedem consultoria às unidades de ensino. É o caso da Fazenda Brasil, que solicitou um estudo à Fatec São José dos Campos. Cria 800 porcos, compra insumos e vende os animais vivos. "Para aumentar a eficiência no processo, priorizaremos a manutenção e a gestão da frota de caminhões. Além disso, verificaremos a possibilidade de ofertar o produto processado", diz Irineu de Brito Júnior, docente responsável pela pesquisa.
Outros projetos, como o de Vinicius Minatogawa, da Fatec Americana, devem beneficiar milhares de pessoas. "Vou desenvolver a melhor rota para vans que levam crianças à escola, diminuindo custos e emissões de gases poluentes. Com o progresso dessa pesquisa, pretendo ampliar a maximização das rotas para todo o transporte público da cidade".
Por Canal Executivo
domingo, 30 de agosto de 2009
Protesto Virtual
Em conjunto com o Blog Laguardia o Mundo by Thaís, estamos lançando uma campanha de protesto virtual para o período de 07 a 20 de setembro.
Gostaríamos muito de contar com a sua participação e a dos seguidores de seu blog.
Esta é uma campanha de todos os brasileiros patriotas e não de um ou outro blog.
A campanha é de todos nós que queremos um país melhor para nossos filhos e netos.
Detalhes em o mundo by thais ou brasil livre e democrata
Divulgue esta idéia.
O Brasil mais do que nunca precisa de você!
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Unilever
A Unilever Brasil seleciona para 170 vagas de estágio e 30 de trainee até o dia 31 de agosto. As vagas estão concentradas nos estados de São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e Goiás. O processo de seleção será realizado de setembro a dezembro e os aprovados começam a trabalhar em 2010.
Atualmente, conta com 12 fábricas e quatro escritórios nos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco e cerca de 12 mil funcionários. Por ano, a Unilever lança cerca de 100 novos produtos e é líder de mercado na maioria das categorias em que atua.
A empresa encerrou o ano de 2008 com um faturamento bruto de R$ 10.290 bilhões, mantendo-se como a terceira maior operação da Unilever no mundo, atrás somente dos Estados Unidos e Inglaterra. O faturamento global da companhia em 2008 foi de 40,5 bilhões de euros. Além disso, é a segunda maior anunciante do país, com investimentos de R$ 1.748 bilhão em propaganda, em 2008, um aumento de 22,9 % em relação ao ano anterior.
Trainee
Podem participar do processo de seleção estudantes de graduação e pós-graduação de todo o Brasil, que se formam no final de 2009 ou que tenham concluído a graduação entre 2007 e 2009. O processo de seleção será realizado entre setembro e dezembro, com provas virtuais, painel em grupo e entrevistas individuais.
Novidade deste ano, a cyber interview permitirá conhecer mais candidatos sem que tenham que se deslocar de uma cidade para outra. Isso só acontecerá nas duas últimas etapas da seleção – quando o candidato será entrevistado em São Paulo. O resultado será divulgado em dezembro deste ano e os aprovados começam a trabalhar em 2010.
Os interessados podem se candidatar para as áreas de:
· Relacionamento com Clientes
· Marketing
· Finanças
· Recursos Humanos
· Tecnologia da Informação
· Supply Chain (Manufatura e Administrativo)
· Pesquisa e Desenvolvimento (R&D)
O salário para trainee é de R$ 4.500,00, além de todos os benefícios oferecidos aos funcionários, como assistência médica e odontológica, alimentação, estacionamento, seguro de vida em grupo e plano de previdência privada. O programa tem duração de três anos, período em que são preparados para assumir um cargo de gerência na companhia.
Estágio
Os estagiários recebem ao longo do programa uma série de treinamentos para ajudar na formação profissional, desenvolvem projetos nas suas áreas de atuação e podem, ao fim, iniciar uma carreira na própria Unilever – o programa é também uma das portas de entrada para a empresa.
Hoje, cerca de 50% dos estagiários permanecem na Unilever em cargos de analistas e coordenadores. Ao fim do programa, o estagiário pode ainda concorrer a uma vaga de trainee.
Para se candidatar, os interessados devem cursar o penúltimo ou último ano do curso universitário, nas áreas relacionadas com a atuação do estágio. São onze as áreas de trabalho:
· Supply Chain Manufatura
· Supply Chain Administrativo
· Marketing
· Pesquisa de Mercado
· Pesquisa e Desenvolvimento
· Assuntos Corporativos
· Relacionamento com clientes
· Tecnologia da Informação
· Jurídico
· Finanças
· Recursos Humanos
O processo de seleção acontece de setembro a novembro e os candidatos passarão por diversas etapas eliminatórias como testes virtuais, dinâmicas de grupo e entrevistas coletivas. Os alunos aprovados deverão ter disponibilidade para estagiar entre 20 e 30 horas semanais. O estágio tem duração de um ano, com possibilidade de renovação por mais um para alunos que ingressarem no penúltimo ano do curso.
A bolsa auxílio varia de R$ 556,00 a R$ 1.225,00, a depender da carga horária e do ano que o estagiário está cursando. Além da bolsa auxílio, ele receberá assistência médica, alimentação, seguro de vida e auxílio transporte.
As inscrições podem ser feitas pelo site da empresa
www.unilever.com.br até 31 de agosto de 2009.
Atualmente, conta com 12 fábricas e quatro escritórios nos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco e cerca de 12 mil funcionários. Por ano, a Unilever lança cerca de 100 novos produtos e é líder de mercado na maioria das categorias em que atua.
A empresa encerrou o ano de 2008 com um faturamento bruto de R$ 10.290 bilhões, mantendo-se como a terceira maior operação da Unilever no mundo, atrás somente dos Estados Unidos e Inglaterra. O faturamento global da companhia em 2008 foi de 40,5 bilhões de euros. Além disso, é a segunda maior anunciante do país, com investimentos de R$ 1.748 bilhão em propaganda, em 2008, um aumento de 22,9 % em relação ao ano anterior.
Trainee
Podem participar do processo de seleção estudantes de graduação e pós-graduação de todo o Brasil, que se formam no final de 2009 ou que tenham concluído a graduação entre 2007 e 2009. O processo de seleção será realizado entre setembro e dezembro, com provas virtuais, painel em grupo e entrevistas individuais.
Novidade deste ano, a cyber interview permitirá conhecer mais candidatos sem que tenham que se deslocar de uma cidade para outra. Isso só acontecerá nas duas últimas etapas da seleção – quando o candidato será entrevistado em São Paulo. O resultado será divulgado em dezembro deste ano e os aprovados começam a trabalhar em 2010.
Os interessados podem se candidatar para as áreas de:
· Relacionamento com Clientes
· Marketing
· Finanças
· Recursos Humanos
· Tecnologia da Informação
· Supply Chain (Manufatura e Administrativo)
· Pesquisa e Desenvolvimento (R&D)
O salário para trainee é de R$ 4.500,00, além de todos os benefícios oferecidos aos funcionários, como assistência médica e odontológica, alimentação, estacionamento, seguro de vida em grupo e plano de previdência privada. O programa tem duração de três anos, período em que são preparados para assumir um cargo de gerência na companhia.
Estágio
Os estagiários recebem ao longo do programa uma série de treinamentos para ajudar na formação profissional, desenvolvem projetos nas suas áreas de atuação e podem, ao fim, iniciar uma carreira na própria Unilever – o programa é também uma das portas de entrada para a empresa.
Hoje, cerca de 50% dos estagiários permanecem na Unilever em cargos de analistas e coordenadores. Ao fim do programa, o estagiário pode ainda concorrer a uma vaga de trainee.
Para se candidatar, os interessados devem cursar o penúltimo ou último ano do curso universitário, nas áreas relacionadas com a atuação do estágio. São onze as áreas de trabalho:
· Supply Chain Manufatura
· Supply Chain Administrativo
· Marketing
· Pesquisa de Mercado
· Pesquisa e Desenvolvimento
· Assuntos Corporativos
· Relacionamento com clientes
· Tecnologia da Informação
· Jurídico
· Finanças
· Recursos Humanos
O processo de seleção acontece de setembro a novembro e os candidatos passarão por diversas etapas eliminatórias como testes virtuais, dinâmicas de grupo e entrevistas coletivas. Os alunos aprovados deverão ter disponibilidade para estagiar entre 20 e 30 horas semanais. O estágio tem duração de um ano, com possibilidade de renovação por mais um para alunos que ingressarem no penúltimo ano do curso.
A bolsa auxílio varia de R$ 556,00 a R$ 1.225,00, a depender da carga horária e do ano que o estagiário está cursando. Além da bolsa auxílio, ele receberá assistência médica, alimentação, seguro de vida e auxílio transporte.
As inscrições podem ser feitas pelo site da empresa
www.unilever.com.br até 31 de agosto de 2009.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Logística verde
O transporte de carga incorpora uma nova e complexa variável que vai além da redução de custos, segurança ou rapidez na entrega. Cifrões, mapas de rota e medidas como quilometragem, peso e volume dividem espaço nas planilhas de logística com uma conta típica dos tempos modernos: a quantidade de gases do efeito estufa liberada pelos veículos. O mercado exige a matemática ambiental. "Na era do aquecimento global, é imperativo diminuir emissões atmosféricas, porque isso definirá a existência de nossos negócios no futuro", afirma Jorge Lima, gerente de assuntos governamentais e socioambientais da Unilever Brasil. O vaivém de caminhões no centro de distribuição da empresa, em Louveira, interior de São Paulo, retrata essa realidade. A operação segue o modelo do "circuito estático" - arranjo de logística que racionaliza o transporte, ao garantir a carga de retorno após a entrega.
O fluxo de mercadorias é mapeado com seus volumes para permitir a definição de um cronograma que prevê o tempo de carga e descarga e a duração dos percursos - tudo programado por computador. Aproveita-se ao máximo a capacidade dos veículos, tendo como resultado a redução da quantidade de viagens, que passaram de 18.731 para 16.319 anuais após o início do esquema. Em 2008, a companhia deixou de emitir 2.400 toneladas de dióxido de carbono por conta do novo procedimento, hoje expandido para as operações com fornecedores de matéria-prima.
"O compromisso ambiental também no transporte já é um item de satisfação do consumidor", explica Lima, ressaltando que o esforço não se reduz ao planejamento da logística. Inclui também o desenvolvimento de novos produtos e embalagens capazes de reduzir custos - e emissões de gases-estufa - na sua distribuição.
É o caso do amaciante de roupas concentrado, lançado em 2008 pela Unilever para reduzir o consumo de água nas lavagens e o tamanho das embalagens. Além de empregar menos matéria-prima de fontes não renováveis e diminuir o volume no lixo após o consumo, o produto ocupa menos espaço nos caminhões, o que implica menor liberação de gases poluentes para transportá-lo. A nova versão do amaciante proporcionou economia de quase 2 mil viagens de caminhão por ano - ou seja, uma redução de combustível em torno de 67%. Em 2005, ao diminuir em um décimo o tamanho da embalagem clássica de sabão em pó, que passou a ter formato horizontal, a empresa conseguiu colocar 6% mais produtos nos caminhões. A eliminação da tampa de desodorantes, tornando as embalagens seis gramas mais leves, também proporcionou economias no transporte. São ações que contribuem para a companhia atingir a meta global de reduzir em 25% os gases do efeito estufa até 2012, em comparação aos índices de 2004. No Brasil, entre 2004 e 2008, a diminuição de dióxido de carbono foi de 59%.
Seguindo a mesma linha, a Procter & Gamble lançou no ano passado a versão concentrada do sabão em pó em caixa de menor tamanho, 10,34% mais leve em relação à tradicional, o que permite o transporte de mais unidades por caminhão. As medidas multiplicam-se no mercado e chegam aos gigantes da informática, como a Dell, que anunciou um programa de quatro anos para simplificar as embalagens de computadores com economia de US$ 8 milhões. Ao eliminar 9,7 mil toneladas de materiais nas embalagens, espera-se um ganho significativo também na redução de gases no transporte.
A tendência ganha força em países que assumiram metas para reduzir gases do efeito estufa no Protocolo de Kyoto. Além da regulação imposta pelos governos, com regras para evitar emissões, o tema transformou-se em instrumento de mercado. Como efeito-dominó, está presente não apenas nos planos estratégicos e de sustentabilidade das indústrias. Envolve também o setor de transporte de carga. De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a queima de combustíveis pelo transporte é a terceira maior fonte de poluentes que contribuem para o aquecimento global, com 14% das emissões globais, atrás da geração de energia (21,3%) e da produção industrial (16,8%).
No Brasil, automóveis, caminhões, navios e aviões representam 9% dos gases-estufa, perdendo apenas para o desmatamento e mudanças no uso da terra. "O setor de transportes está agora acordando, porque os compradores externos olham para a cadeia de fornecimento e dão preferência aos que emitem menos carbono", afirma Juarez Campos, do Centro de Estudos em Sustentabilidade, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Lá fora a estratégia é comprar de quem está perto, em função da menor emissão com o transporte. A maior distância só se justifica - explica Campos - se o valor do frete for significativamente reduzido, pois a poluição significa custo e o carbono é mais um item considerado nas políticas de compra. "No Brasil, as empresas de transporte precisam se preparar para competir", ressalta Campos, coordenador no país do programa internacional Greenhouse Gas Protocol, que orienta corporações a medir emissões e identificar soluções.
A Sadia, por exemplo, automatizou o controle de rotas mediante equipamentos como GPS (Global Position System), reduzindo viagens e queima de combustível. Em alguns casos, é necessário priorizar fornecedores regionais ou mudar o planejamento da distribuição para reduzir as distâncias das entregas.
No varejo, o Magazine Luiza também tem resultados a comemorar. "Com melhor previsão sobre a demanda das lojas, reduzimos em 25% o tráfego de caminhões entre nossos centros de distribuição", revela Regina Lemgruber, diretora de logística da rede. Além disso, ao maximizar a ocupação dos veículos, a empresa reduziu a frequência média de viagens para abastecer as lojas, passando de duas para uma vez por semana. A redução de custo chega a 20%, com vantagens nas emissões de gases pelos cerca de mil caminhões que abastecem as lojas no Estado de São Paulo.
A preocupação é maior nos negócios com operações externas. Empresas que buscam selos de certificação para atestar a origem ambiental de seus produtos, com objetivo de conquistar espaços diferenciados no mercado, adotam novos critérios no transporte. "Estamos mapeando o carbono em toda a cadeia produtiva do café para que a bebida chegue às xícaras com menos emissões", informa Leopoldo Santana, gerente geral da Daterra Atividades Rurais, em Patrocínio (MG), a primeira do país que recebeu o selo socioambiental Rainforest Alliance, conferido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).
O projeto é neutralizar carbono, reduzindo gases-estufa e plantando vegetação nativa nas fazendas produtoras. Uma das medidas previstas no transporte é exportar o café a granel em embalagens maiores e não em sacos de juta de 60 quilos como hoje. A produção cafeeira da empresa atinge 80 mil sacos por ano, 96% para exportação.
No caso do Café Bom Dia, em Varginha (MG), a estratégia foi eliminar intermediários. "Ao fazer a torrefação na origem e levar o produto direto para os supermercados, reduzimos entre 20% e 30% as emissões de carbono", afirma Sydney Marques de Paiva, presidente da empresa.
"Como resultado da urbanização acelerada, mais caminhões circulam nas cidades para abastecer a população, "exigindo novos modelos de infraestrutura para o transporte", explica Beatriz Bulhões, diretora do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebeds). Substituir frotas, optando por combustíveis mais limpos e veículos mais eficientes, faz parte do desafio. "O país tem 44% de sua frota com mais de 20 anos de uso e a situação é crítica porque os caminhões velhos poluem dez vezes mais", alega Neuto Gonçalves dos Reis, coordenador técnico da Associação Nacional de Transportes de Carga e Logística (ANTC). Ele sugere que pelo menos 30 mil caminhões por ano sejam retirados das ruas e virem sucata, com subsídios do governo federal.
O transporte rodoviário é responsável por 63,8% das emissões de dióxido de carbono no município de São Paulo, segundo o inventário de gases que subsidiou a política municipal de combate ao aquecimento global, estabelecida por projeto de lei lançado pela prefeitura em junho. A meta é reduzir as emissões em 30% nos próximos quatro anos.
Mundo Sustentável
fonte: Valor Econômico
O fluxo de mercadorias é mapeado com seus volumes para permitir a definição de um cronograma que prevê o tempo de carga e descarga e a duração dos percursos - tudo programado por computador. Aproveita-se ao máximo a capacidade dos veículos, tendo como resultado a redução da quantidade de viagens, que passaram de 18.731 para 16.319 anuais após o início do esquema. Em 2008, a companhia deixou de emitir 2.400 toneladas de dióxido de carbono por conta do novo procedimento, hoje expandido para as operações com fornecedores de matéria-prima.
"O compromisso ambiental também no transporte já é um item de satisfação do consumidor", explica Lima, ressaltando que o esforço não se reduz ao planejamento da logística. Inclui também o desenvolvimento de novos produtos e embalagens capazes de reduzir custos - e emissões de gases-estufa - na sua distribuição.
É o caso do amaciante de roupas concentrado, lançado em 2008 pela Unilever para reduzir o consumo de água nas lavagens e o tamanho das embalagens. Além de empregar menos matéria-prima de fontes não renováveis e diminuir o volume no lixo após o consumo, o produto ocupa menos espaço nos caminhões, o que implica menor liberação de gases poluentes para transportá-lo. A nova versão do amaciante proporcionou economia de quase 2 mil viagens de caminhão por ano - ou seja, uma redução de combustível em torno de 67%. Em 2005, ao diminuir em um décimo o tamanho da embalagem clássica de sabão em pó, que passou a ter formato horizontal, a empresa conseguiu colocar 6% mais produtos nos caminhões. A eliminação da tampa de desodorantes, tornando as embalagens seis gramas mais leves, também proporcionou economias no transporte. São ações que contribuem para a companhia atingir a meta global de reduzir em 25% os gases do efeito estufa até 2012, em comparação aos índices de 2004. No Brasil, entre 2004 e 2008, a diminuição de dióxido de carbono foi de 59%.
Seguindo a mesma linha, a Procter & Gamble lançou no ano passado a versão concentrada do sabão em pó em caixa de menor tamanho, 10,34% mais leve em relação à tradicional, o que permite o transporte de mais unidades por caminhão. As medidas multiplicam-se no mercado e chegam aos gigantes da informática, como a Dell, que anunciou um programa de quatro anos para simplificar as embalagens de computadores com economia de US$ 8 milhões. Ao eliminar 9,7 mil toneladas de materiais nas embalagens, espera-se um ganho significativo também na redução de gases no transporte.
A tendência ganha força em países que assumiram metas para reduzir gases do efeito estufa no Protocolo de Kyoto. Além da regulação imposta pelos governos, com regras para evitar emissões, o tema transformou-se em instrumento de mercado. Como efeito-dominó, está presente não apenas nos planos estratégicos e de sustentabilidade das indústrias. Envolve também o setor de transporte de carga. De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a queima de combustíveis pelo transporte é a terceira maior fonte de poluentes que contribuem para o aquecimento global, com 14% das emissões globais, atrás da geração de energia (21,3%) e da produção industrial (16,8%).
No Brasil, automóveis, caminhões, navios e aviões representam 9% dos gases-estufa, perdendo apenas para o desmatamento e mudanças no uso da terra. "O setor de transportes está agora acordando, porque os compradores externos olham para a cadeia de fornecimento e dão preferência aos que emitem menos carbono", afirma Juarez Campos, do Centro de Estudos em Sustentabilidade, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Lá fora a estratégia é comprar de quem está perto, em função da menor emissão com o transporte. A maior distância só se justifica - explica Campos - se o valor do frete for significativamente reduzido, pois a poluição significa custo e o carbono é mais um item considerado nas políticas de compra. "No Brasil, as empresas de transporte precisam se preparar para competir", ressalta Campos, coordenador no país do programa internacional Greenhouse Gas Protocol, que orienta corporações a medir emissões e identificar soluções.
A Sadia, por exemplo, automatizou o controle de rotas mediante equipamentos como GPS (Global Position System), reduzindo viagens e queima de combustível. Em alguns casos, é necessário priorizar fornecedores regionais ou mudar o planejamento da distribuição para reduzir as distâncias das entregas.
No varejo, o Magazine Luiza também tem resultados a comemorar. "Com melhor previsão sobre a demanda das lojas, reduzimos em 25% o tráfego de caminhões entre nossos centros de distribuição", revela Regina Lemgruber, diretora de logística da rede. Além disso, ao maximizar a ocupação dos veículos, a empresa reduziu a frequência média de viagens para abastecer as lojas, passando de duas para uma vez por semana. A redução de custo chega a 20%, com vantagens nas emissões de gases pelos cerca de mil caminhões que abastecem as lojas no Estado de São Paulo.
A preocupação é maior nos negócios com operações externas. Empresas que buscam selos de certificação para atestar a origem ambiental de seus produtos, com objetivo de conquistar espaços diferenciados no mercado, adotam novos critérios no transporte. "Estamos mapeando o carbono em toda a cadeia produtiva do café para que a bebida chegue às xícaras com menos emissões", informa Leopoldo Santana, gerente geral da Daterra Atividades Rurais, em Patrocínio (MG), a primeira do país que recebeu o selo socioambiental Rainforest Alliance, conferido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).
O projeto é neutralizar carbono, reduzindo gases-estufa e plantando vegetação nativa nas fazendas produtoras. Uma das medidas previstas no transporte é exportar o café a granel em embalagens maiores e não em sacos de juta de 60 quilos como hoje. A produção cafeeira da empresa atinge 80 mil sacos por ano, 96% para exportação.
No caso do Café Bom Dia, em Varginha (MG), a estratégia foi eliminar intermediários. "Ao fazer a torrefação na origem e levar o produto direto para os supermercados, reduzimos entre 20% e 30% as emissões de carbono", afirma Sydney Marques de Paiva, presidente da empresa.
"Como resultado da urbanização acelerada, mais caminhões circulam nas cidades para abastecer a população, "exigindo novos modelos de infraestrutura para o transporte", explica Beatriz Bulhões, diretora do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebeds). Substituir frotas, optando por combustíveis mais limpos e veículos mais eficientes, faz parte do desafio. "O país tem 44% de sua frota com mais de 20 anos de uso e a situação é crítica porque os caminhões velhos poluem dez vezes mais", alega Neuto Gonçalves dos Reis, coordenador técnico da Associação Nacional de Transportes de Carga e Logística (ANTC). Ele sugere que pelo menos 30 mil caminhões por ano sejam retirados das ruas e virem sucata, com subsídios do governo federal.
O transporte rodoviário é responsável por 63,8% das emissões de dióxido de carbono no município de São Paulo, segundo o inventário de gases que subsidiou a política municipal de combate ao aquecimento global, estabelecida por projeto de lei lançado pela prefeitura em junho. A meta é reduzir as emissões em 30% nos próximos quatro anos.
Mundo Sustentável
fonte: Valor Econômico
Emprego verde
Há dez anos, quase ninguém ouvia falar em empregos verdes. Hoje, não se fala em outra coisa. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 1,5 milhão de brasileiros realiza atividades que contribuem, de alguma forma, para a redução de impactos ambientais. Desse universo, 500 mil trabalham com energias renováveis, 500 mil, com reciclagem, e o restante, em outros campos de atuação, como reflorestamento, construções sustentáveis e saneamento.
- As tecnologias verdes tendem a empregar mais do que as tradicionais. Para manter o aquecimento global controlado até 2050, será necessário investir 1% do PIB mundial por ano. Isso pode gerar dois bilhões de pessoas empregadas no mundo até lá - afirma Paulo Sérgio Moçouçah, coordenador do Programa de Trabalho Decente e Empregos Verdes da OIT Brasil.
As oportunidades de negócios, criadas por essa revolução verde, estão na pauta da 3ª edição do Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá de terça a quinta-feira na PUC-SP. Segundo Cristina Montenegro, representante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) no Brasil, que falará sobre empregos verdes no evento, as oportunidades são vastas e cada vez mais numerosas:
- Ao mesmo tempo que as empresas buscam funcionários que estejam preparados para essa mudança de paradigma, o setor industrial requer profissionais que sejam capazes de viabilizar seus processos de forma mais limpa e ecologicamente correta.
Na corrida para se adequar a essa nova realidade, engenheiros, biólogos, geógrafos, administradores, economistas e até advogados largam na frente. Mas se você não se formou em nenhuma dessas carreiras e quer se aventurar nesse mercado, não se preocupe. Para atender à demanda cada vez maior das empresas e dos setores público e industrial, instituições de ensino estão criando cursos de especialização com ênfase em meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
A PUC-Rio, por exemplo, conta com uma ampla grade de cursos de especialização de 360 horas. Já a Fundação Getúlio Vargas (FGV) oferece MBAs e cursos de extensão, a distância, que desenvolvem temas ligados à responsabilidade socioambiental.
- De três anos para cá, a procura por essas especializações aumentou pelo menos 100%. Os profissionais estão em busca de melhores oportunidades - afirma Haroldo Lemos, professor de gestão ambiental e desenvolvimento sustentável da FGV.
Mercado sustentável sofre com a falta de profissionais qualificados
A reciclagem e os biocombustíveis são apontados como os setores que mais oferecem empregos verdes no Brasil. Mas não são as únicas. Reaproveitamento de resíduos, agricultura orgânica, biocosméticos, construções verdes e turismo ecológico também são setores fortes, segundo os especialistas.
- O potencial de geração de empregos verdes na construção civil pode chegar a 800 mil com a incorporação de novas tecnologias. O programa "Minha casa, minha vida", por exemplo, vai gerar 18 mil vagas em toda a cadeia produtiva. E o reflorestamento pode criar, apenas no Pará, cerca de 110 mil empregos por causa do projeto de regularização de propriedades fundiárias na Amazônia, aprovado recentemente pelo governo federal - exemplifica Paulo Sérgio Muçouçah, coordenador do Programa de Trabalho Decente e Empregos Verdes da OIT Brasil.
Ainda segundo a entidade, para cada emprego eliminado no setor de combustíveis fósseis, é possível criar dez novos na área de energias renováveis. Na UFRJ, o Programa de Planejamento Energético (PPE), da Coppe, faz pesquisas e oferece cursos de mestrado e doutorado que trabalham temas como fontes alternativas, uso racional de energia elétrica e emissões de gases de efeito estufa.
- A procura pelos cursos aumentou muito de dez anos para cá. Temos recebido alunos que não são de engenharia, como biólogos, geógrafos e até advogados. Muitos, mal terminam o mestrado ou o doutorado, já são convidados para trabalhar em grandes empresas, por salários que variam de R$8 mil a R$15 mil - conta a engenheira química Alessandra Magrini, professora do PPE.
Apesar de ainda ser cedo para identificar o surgimento de novas profissões por causa da revolução verde - a engenharia ambiental, regulamentada em 1994, por exemplo, é exceção - a mudança de paradigma tem estimulado a incorporação de novas habilidades por quem já está no mercado. Engenheiros de diferentes áreas, por exemplo, têm corrido atrás de especializações em meio ambiente para dar conta do recado.
- Quando há uma mudança radical no padrão tecnológico, o surgimento de novas profissões é inevitável. Mas esse processo ainda não se completou no país - diz Muçouçah.
Especializações adaptam os profissionais para o mercado
Formada em engenharia química pela Uerj, a carioca Priscila Zidan, de 30 anos, faz parte do time de profissionais que assimilaram novas funções para se adaptar às exigências do mercado verde. Para isso, ela apostou num MBA em gestão ambiental pela Funcefet e num mestrado em remediação de águas subterrâneas na Coppe. Hoje ela garante que os procedimentos realizados pela Haztec, companhia que oferece soluções integradas de sustentabilidade para outras empresas, estejam de acordo com normas relacionadas a saúde, segurança e meio ambiente, como a ISO 14.001, certificação mundial de gestão ambiental.
- Só fiz engenharia química na faculdade porque na época não existia engenharia ambiental. Por isso, investir em especializações foi fundamental. A cada emprego que eu passava, novos conhecimentos eram exigidos.
O Núcleo Interdisciplinar do Meio Ambiente (Nima) da PUC-Rio, por exemplo, conta com uma ampla grade de cursos complementares de 360 horas, como os de direito e engenharia urbana e ambiental, direcionado a advogados e engenheiros civis, respectivamente, que querem conhecer a legislação verde e trabalhar com energias sustentáveis, processos de reciclagem, criação de aterros sanitários e eliminação de resíduos, entre outros temas.
- Temos hoje mais de 150 disciplinas relacionadas a meio ambiente e sustentabilidade, que são ensinadas em cursos de diversas áreas de conhecimento - explica o geógrafo Luiz Felipe Guanaes, diretor do Nima.
Apesar do esforço das instituições de ensino em acompanhar a demanda do mercado, ainda há escassez de profissionais qualificados.
- Empresas que visam apenas ao lucro, ignorando as dimensões social e ambiental, não terão vida longa. A preocupação socioambiental está crescendo entre o meio, gerando uma grande oferta de vagas - afirma Fernando Almeida, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).
Mundo Sustentável.
Fonte: O Globo, Paula Dias, 02/ago
- As tecnologias verdes tendem a empregar mais do que as tradicionais. Para manter o aquecimento global controlado até 2050, será necessário investir 1% do PIB mundial por ano. Isso pode gerar dois bilhões de pessoas empregadas no mundo até lá - afirma Paulo Sérgio Moçouçah, coordenador do Programa de Trabalho Decente e Empregos Verdes da OIT Brasil.
As oportunidades de negócios, criadas por essa revolução verde, estão na pauta da 3ª edição do Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontecerá de terça a quinta-feira na PUC-SP. Segundo Cristina Montenegro, representante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) no Brasil, que falará sobre empregos verdes no evento, as oportunidades são vastas e cada vez mais numerosas:
- Ao mesmo tempo que as empresas buscam funcionários que estejam preparados para essa mudança de paradigma, o setor industrial requer profissionais que sejam capazes de viabilizar seus processos de forma mais limpa e ecologicamente correta.
Na corrida para se adequar a essa nova realidade, engenheiros, biólogos, geógrafos, administradores, economistas e até advogados largam na frente. Mas se você não se formou em nenhuma dessas carreiras e quer se aventurar nesse mercado, não se preocupe. Para atender à demanda cada vez maior das empresas e dos setores público e industrial, instituições de ensino estão criando cursos de especialização com ênfase em meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
A PUC-Rio, por exemplo, conta com uma ampla grade de cursos de especialização de 360 horas. Já a Fundação Getúlio Vargas (FGV) oferece MBAs e cursos de extensão, a distância, que desenvolvem temas ligados à responsabilidade socioambiental.
- De três anos para cá, a procura por essas especializações aumentou pelo menos 100%. Os profissionais estão em busca de melhores oportunidades - afirma Haroldo Lemos, professor de gestão ambiental e desenvolvimento sustentável da FGV.
Mercado sustentável sofre com a falta de profissionais qualificados
A reciclagem e os biocombustíveis são apontados como os setores que mais oferecem empregos verdes no Brasil. Mas não são as únicas. Reaproveitamento de resíduos, agricultura orgânica, biocosméticos, construções verdes e turismo ecológico também são setores fortes, segundo os especialistas.
- O potencial de geração de empregos verdes na construção civil pode chegar a 800 mil com a incorporação de novas tecnologias. O programa "Minha casa, minha vida", por exemplo, vai gerar 18 mil vagas em toda a cadeia produtiva. E o reflorestamento pode criar, apenas no Pará, cerca de 110 mil empregos por causa do projeto de regularização de propriedades fundiárias na Amazônia, aprovado recentemente pelo governo federal - exemplifica Paulo Sérgio Muçouçah, coordenador do Programa de Trabalho Decente e Empregos Verdes da OIT Brasil.
Ainda segundo a entidade, para cada emprego eliminado no setor de combustíveis fósseis, é possível criar dez novos na área de energias renováveis. Na UFRJ, o Programa de Planejamento Energético (PPE), da Coppe, faz pesquisas e oferece cursos de mestrado e doutorado que trabalham temas como fontes alternativas, uso racional de energia elétrica e emissões de gases de efeito estufa.
- A procura pelos cursos aumentou muito de dez anos para cá. Temos recebido alunos que não são de engenharia, como biólogos, geógrafos e até advogados. Muitos, mal terminam o mestrado ou o doutorado, já são convidados para trabalhar em grandes empresas, por salários que variam de R$8 mil a R$15 mil - conta a engenheira química Alessandra Magrini, professora do PPE.
Apesar de ainda ser cedo para identificar o surgimento de novas profissões por causa da revolução verde - a engenharia ambiental, regulamentada em 1994, por exemplo, é exceção - a mudança de paradigma tem estimulado a incorporação de novas habilidades por quem já está no mercado. Engenheiros de diferentes áreas, por exemplo, têm corrido atrás de especializações em meio ambiente para dar conta do recado.
- Quando há uma mudança radical no padrão tecnológico, o surgimento de novas profissões é inevitável. Mas esse processo ainda não se completou no país - diz Muçouçah.
Especializações adaptam os profissionais para o mercado
Formada em engenharia química pela Uerj, a carioca Priscila Zidan, de 30 anos, faz parte do time de profissionais que assimilaram novas funções para se adaptar às exigências do mercado verde. Para isso, ela apostou num MBA em gestão ambiental pela Funcefet e num mestrado em remediação de águas subterrâneas na Coppe. Hoje ela garante que os procedimentos realizados pela Haztec, companhia que oferece soluções integradas de sustentabilidade para outras empresas, estejam de acordo com normas relacionadas a saúde, segurança e meio ambiente, como a ISO 14.001, certificação mundial de gestão ambiental.
- Só fiz engenharia química na faculdade porque na época não existia engenharia ambiental. Por isso, investir em especializações foi fundamental. A cada emprego que eu passava, novos conhecimentos eram exigidos.
O Núcleo Interdisciplinar do Meio Ambiente (Nima) da PUC-Rio, por exemplo, conta com uma ampla grade de cursos complementares de 360 horas, como os de direito e engenharia urbana e ambiental, direcionado a advogados e engenheiros civis, respectivamente, que querem conhecer a legislação verde e trabalhar com energias sustentáveis, processos de reciclagem, criação de aterros sanitários e eliminação de resíduos, entre outros temas.
- Temos hoje mais de 150 disciplinas relacionadas a meio ambiente e sustentabilidade, que são ensinadas em cursos de diversas áreas de conhecimento - explica o geógrafo Luiz Felipe Guanaes, diretor do Nima.
Apesar do esforço das instituições de ensino em acompanhar a demanda do mercado, ainda há escassez de profissionais qualificados.
- Empresas que visam apenas ao lucro, ignorando as dimensões social e ambiental, não terão vida longa. A preocupação socioambiental está crescendo entre o meio, gerando uma grande oferta de vagas - afirma Fernando Almeida, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).
Mundo Sustentável.
Fonte: O Globo, Paula Dias, 02/ago
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